Sempre fora do lugar
Fora do tempo
de compasso
Sem passo
Sem com
Pan ia
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Então
Fiquei sem internet por causa da chuva. Junto com o começo dos trabalhos de ensaio.
Nesse período escrevi vários textos na metodologia analógica e vou postá-los em breve.
Mas hoje fez-se dezembro em meu semblante. E o som de um mar que não existe faz bater em descompasso meu coração.
Até breve.
Se é que existe brevidade,
Já que o tempo
É infinito.
domingo, 16 de janeiro de 2011
On Truffaut or Love and Other Drugs. Whichever you prefer.
I was going to write a review on the film Le Histoire de Adèle H. directed by Truffaut, avec Isabelle Adjani. But there isn’t really much to comment on the film, except for the superb lighting and Isabelle’s acting.
But what I really wanted to talk about… is love.
I have been trying to write for days now, but it seems to be a word that changes meaning with the color of the sun, the numbers of stars in the sky, how many raindrops break the stillness of the waters. Changes with how many times wars show up in the news, how many little children ask for money below the traffic lights, how much trash is thrown into the sea, how many fathers lose their sons.
Love is written on so many cards, for so many occasions. Love is used to justify so many actions, so different from one another. Love for your country, love for your brothers, love for your children….
In our western culture we are not allowed to love more than one person at a time. If it is the sexual type of love, of course. You have to love your mother and your father, all you sisters and cousins, your friends. But you must never devote sentiment and sexual intercourse with more than one person at a time.
In order to make it less socially punishing, we have differed polygamy in time. You can experience love, and call it true love for that matter, with as many people you please, just as long as not at the same time.
And for some reason which is far beyond my comprehension, our western culture insists in creating fairytales on the big screen that always end with… and so they lived happily ever after. Just like Snow White. Or Love and Other Drugs. Take your pick.
Poor Adèle. She became crazy out of loneliness and obsession. The expectation that the first love must be the one and only love. Even though society has outgrown that 19th century Romantic idealism, deep down inside, we still feel guilty at the end of a relationship, however good or bad it might have been.
sábado, 15 de janeiro de 2011
As coisas para além de sua materialidade
Um dos contos mais lindos que li, se chama O casaco de Marx. Ele descreve como transferimos valor às coisas dependendo de quem nos presenteou, de quem a herdamos, do esforço que fizemos para possuí-la. E que assim, através da memória
Hoje, em meio de várias artistas, ajudamos a outra se desfazer de seus objetos preciosos para possibilitar uma mudança de casa que viria em breve. A artista, que trabalha com composição e colagem, tinha um sem fim de potes, vidros, latas, nos quais guardava extratos, tampinhas, pedaços de brinquedos, restos de construção, retalhos, pedras e afins.
Era como se cada coisa ali fizesse parte do que ela foi ou um dia poderia vir a ser. Quadros pela metade, objetos meio colados, peças recortadas... Nunca nos reencontraremos com o que fomos, nem saberemos o tempo fará de nós.
Acho que tem poucas coisas mais tristes do que ver uma pessoa se despedir de algo que é mais que um objeto, mas sim a representação de alguém que ela amava.
Imagina então perder toda a casa, que é a representação da sua própria vida...
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
Frase eterna
"Antes, a questão era descobrir se a vida precisava ter algum significado para ser vivida. Agora, ao contrário, ficou evidente que ela será melhor vivida se não tiver significado."
Albert Camus
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And so the rain falls...
Those who are keen on keeping up with the news will most likely have seen the tragic scenes cause by the rains in Rio, as in other parts of Brazil.
Considering the overflows in Portugal and Australia, and the snowstorms in the US and Europe, and the amount of causalities in those places, I believe two conclusions can be drawn:
First, the mankind must recognize that it has been treating the World badly, and therefore cannot expect to be rewarded by nature. Why wont the US sign Kyoto, for example?
Second, in Brazil every year we have floods, and every year people lose their houses and sometimes their lives. But never before has so many died and never before had the wealthy part of town been affected. The truth of the matter is, we have very bad urban management and city growth supervision. Plus a certain neglect towards the less privileged areas. And very little prevention policies.
Alas, a great many things to change in this world, in peoples everyday life, in the way we think about the planet. Because it is by thought, that things become action.
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Chuva e tristeza - Deslizamentos no Rio
"Há pessoas que perdem os óculos
o emprego, o ônibus, o fígado
rompem contratos, noivados
perdem a estréia do teatro
há pessoas que perdem a viagem, os amigos
rompem o nervo ciático
perdem cabeça, a deixa, a memória
faturam cachês minguados
há pessoas que perdem dinheiro, fazenda, anéis
a missa das seis
rompem a noite atrás de motéis, de mulheres
que perdem o vestido, a calcinha, o pudor
há pessoas que perdem o valor, o isqueiro
perdem o lugar, o sono, o poder
corrompem o amor, perdem sua vez
há mães que perdem seus filhos
o emprego, o ônibus, o fígado
rompem contratos, noivados
perdem a estréia do teatro
há pessoas que perdem a viagem, os amigos
rompem o nervo ciático
perdem cabeça, a deixa, a memória
faturam cachês minguados
há pessoas que perdem dinheiro, fazenda, anéis
a missa das seis
rompem a noite atrás de motéis, de mulheres
que perdem o vestido, a calcinha, o pudor
há pessoas que perdem o valor, o isqueiro
perdem o lugar, o sono, o poder
corrompem o amor, perdem sua vez
há mães que perdem seus filhos
então não há mais nada a perder"
Martha Medeiros
Uma mulher, que perdeu a filha, o neto, a bisnetinha.
Rios em pavorosa, encostas desmatadas pela lama, casas soterradas.
O que fizemos com o mundo? O que estamos fazendo? Será mesmo um fenômeno natural, ou resultado de séculos de displiscência com o meio ambiente e falta de políticas urbanísticas adequadas em nossas cidades?
Todo ano chove. Todo ano inunda. Todo ano falecem pessoas. E o que fazemos?
Acho que não assisto televisão porque não consigo deixar de chorar. Muitas águas.
Para 2011, desejo ao mundo mais consciência de que estamos todos juntos no mesmo barco. Precisamos zelar por ele, e todos nele.
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